Difícil é saber quando do "cidadão de bem" não vai pirar o cabeçote e sair dando tecos nos outros "cidadãos de bem" por ai. Muito difícil saber quem é o alegado "cidadão de bem". Alguns argumentos usados pelos armamentistas como o Bene Barbosa beiram o absurdo, citam casos nos EUA onde um cidadão armado poderia ter feito algo, como o caso de Las Vegas: o atirador no alto de um prédio só poderia ser alvejado por um rifle. Todo mundo no show deveria estar portando rifles? É isso? Bolsonaro, supostamente um militar treinado, foi enquadrado por bandidos e teve até sua arma roubada. Algumas vezes acho que o povo crê que vive num filme policial, que é Rambo, Bradock, Charles Bronson.
Engraçado que no Brasil está em voga uma cantilena pseudo-liberal que reza que o cidadão deve ter o direito de escolher se quer ou não uma arma, mas esse mesmo povo critica outra iniciativas de extensão de direitos civis mais relevantes. Parece o único direito que o cidadão tem direito é o de consumir.
Há uma crise bem extensa no mundo, crise de representatividade, crise criativa, é muito abrangente. Hoje no Brasil a violência urbana mata mais de 50.000 por ano enquanto nos EUA morrem mais de 60.000 por overdose de opiáceos.
Devemos ficar atentos às pautas fáceis e que apelam a emoção como a violência, proteção da moral e bons costumes. O problema da violência no Brasil é complexo e soltar arma na mão de qualquer demente é muito simples para ser solução. Ou ponderamos bem sobre esses assuntos ou daremos chances a novos aventureiros na política. O populismo com respostas fáceis a problemas complexos está crescendo no mundo, não apenas no Brasil. E isso é bem perigoso.
Aliás, o povo aqui do fórum já deve ter percebido que problemas complexos em geral não admitem respostas fáceis.